Estou com várias chaves nas mãos, mas sei que apenas uma delas é a certa. Chaves grandes, pequenas, coloridas e de várias marcas. Tento a primeira, sem sucesso. A segunda, terceira e muitas outras, mas a porta continua fechada. Enquanto sofro na busca da chave certa, alguém do outro lado espera pacientemente que eu abra a porta.

A pessoa que me aguarda sussurra que devo encontrar algo que distingua a chave que procuro das demais, que a identifique com a fechadura da porta. Nem acredito quando pego aquela chavezinha, sem brilho, sem enfeites, talvez uma das mais simples do molho e a coloco na fechadura. Como num passe de mágica a chave gira e a porta se abre. Consigo receber quem estava ali, pacientemente me esperando.

Encontrar a chave certa é difícil, ainda mais quando transformamos portas em corações e chaves em atitudes. Jesus está do lado de fora. Sim, ele está à porta, bate e espera que abramos. Mas a escolha é nossa, aliás, sempre foi. Procuramos a chave entre tantas no molho, usamos a religiosidade, uma chave usada a séculos sem sucesso. Depois nossos costumes, uma chave conveniente, mas ineficaz. Por fim, o dinheiro, afinal, ele compra tudo. Porém essa chave nem entra na fechadura. Nem a beleza consegue abrir o que está trancado, já ela desaparece em nossas mãos.

Algumas portas, no entanto, não podem ser abertas por nós, pois Deus abre e ninguém fecha; fecha e ninguém abre. Ele colocou diante de nós uma porta aberta que nos leva à sua presença. Uma porta, cuja pequena chave de madeira foi projetada na eternidade e tem manchas de sangue. A chave certa.