Muitos pais têm nos indagado o que fazer para proteger seus filhos em sala de aula da insistência de alguns educadores com práticas pedagógicas que estejam contaminadas com a “ideologia de gênero”, tentando apregoar que a sexualidade não depende da biologia, mas de convenções impostas pela sociedade e, em particular, pela igreja.

​O meu amigo, Doutor Guilherme Schelb, Procurador da República, elaborou algumas ideias que os pais podem apresentar como uma espécie de “notificação extrajudicial” à escola e ao professor que não respeitar a proposta curricular que aprovamos na Assembleia Legislativa. O roteiro pode ser o seguinte:

1. Na condição de pai do aluno (nome do aluno), venho notificar V. Sa. a se abster de veicular em suas aulas qualquer conteúdo que possa implicar a violação à liberdade de consciência e de crença do meu filho -- liberdade assegurada pelo art. 5º, VI, da Constituição Federal --, ou ao meu direito de dar a ele a educação moral que esteja de acordo com minhas próprias convicções, nos termos do art. 12, IV, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, sob pena de responder civilmente pela reparação dos danos materiais e morais que vier a causar.

2. Por força do disposto nos citados dispositivos legais, deverá V. Sa., no exercício de suas funções, abster-se das seguintes condutas:

A) adotar qualquer prática que possa comprometer a orientação ou o amadurecimento sexual do meu filho e o natural desenvolvimento da sua personalidade em harmonia com a sua identidade biológica de sexo;

B) causar ao meu filho qualquer espécie de constrangimento ou prejuízo, em razão das suas​Iconvicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas;

C) indispor o meu filho com seus colegas, em razão das suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas;

D) fazer propaganda político-partidária em sala de aula;

E) incitar o meu filho a participar de manifestações, atos públicos e passeatas;

F) veicular conteúdos ou realizar atividades que possam entrar em conflito com os valores morais que tenho o direito de transmitir ao meu filho, especialmente no campo da moral sexual;

G) aproveitar-se da audiência cativa do meu filho para promover, em sala de aula, suas próprias concepções ou inclinações morais, ideológicas, políticas ou partidárias

H) permitir que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula;

I) causar ao meu filho qualquer espécie de constrangimento ou prejuízo, em razão da presente notificação.

3. Informo a V. Sa. que meu filho tem ciência da presente notificação e está orientado a reportar-me de forma detalhada as possíveis transgressões aos direitos referidos no item 1.

4. Cópia da presente notificação está sendo encaminhada ao representante legal do (nome da instituição de ensino), que responderá solidariamente pela reparação dos danos que V. Sa. porventura vier a causar, no exercício de suas funções.

É apenas um roteiro, mas considero uma forte e legítima ferramenta de proteção dos nossos princípios cristãos. Devemos deixar bem claro que ninguém, nem mesmo o Estado, pode nos fazer abrir mão do conceito que temos e defendemos sobre a família e seus valores.