Existem pipas que se destacam pela beleza, ao passo que outras são mais simples. Enquanto umas voam alto, outras quase não saem do chão. Um lugar apropriado e um pouco de vento podem ajudar, mas, no final do dia, nada disso importará, porque todas as pipas voltam ao chão e são guardadas.

            Fico imaginando como as pipas mais lindas, coloridas e bem feitas tratam aquelas que, por motivos variados, não são tão boas assim. Será que são esnobes por voarem mais alto, chamarem a atenção e chegarem onde as outras, pobres pipas comuns, nunca estarão, ou usam seus dons para ajudar essas pequenas pipas a chegarem mais longe? E estas, aproveitam os ventos que baixas altitudes podem proporcionar e sobem na medida de suas forças, ou usam linha com cerol (aquela com vidro, que corta e é proibida) para interromper as outras de voar?

            Somos pipas que Deus soltou neste dia chamado vida. Uns são ajudados por correntes de ar quente, como talentos naturais, amigos influentes ou um sobrenome importante e assim podem voar mais alto do que a grande maioria. Minha pergunta se repete: Como cada “pipa” tem se comportado enquanto voa? Será que aquelas que se destacam usam isso em prol de algo maior, ou apenas usufruem de seu momento de glória? E as demais, encontram beleza de voos rasantes ou buscam meios de cortar a linha das demais?

            Jesus entende de pipas e nos ensinou que, independentemente da altura que as pipas alcancem, da beleza e ornamentos que possuam, ao final do dia todas descem. E nesse momento, quando o dia acabar e não voarmos mais, chegará a hora de prestar contas àquele que nos deixou voar, cada pipa responderá pela forma com que voou, seja à vista de todos escondida entre nuvens. Que sejamos pipas, soltadas por Deus para alegrar o dia dos que nos veem, cada qual com sua beleza e peculiaridades, voando como pode para, no final do dia, sermos recolhidos para o descanso eterno.