Dentro de algumas horas eles disputariam o Título de um importante campeonato. A ansiedade crescia e a expectativa era grande. Aquele jogo abriria novas portas, quem sabe até de jogar na Europa. Ficariam conhecidos, receberiam flores e homenagens. O jogo não aconteceu, ninguém entrou em campo nem irá à Europa. As portas abertas deram lugar à fuselagem retorcida, no lugar de um título, um acidente. As flores serão usadas para cobrir caixões e as homenagens serão póstumas. O acidente com o time de futebol da Chapecoense no dia 28 de novembro deste ano ceifou muitas vidas e interrompeu sonhos.

Há oito anos os moradores do Vale também choraram, porque casas
caíram, morros desmancharam e muita gente morreu. Quando as coisas serão diferentes? Gostaria de voltar e fazer tudo novo, diferente, deixar tudo como era antes. Mas as coisas envelhecem (olhe no espelho e veja as rugas que ontem não existiam). O tempo não perdoa. A casa onde vivi quando criança foi demolida, a maternidade onde nasci foi desativada, meus pais têm netos e já enterrei um irmão.

Não podemos mudar as coisas, mas Deus pode e vai, Ele fará tudo novo. Um mundo sem pranto e nem funerais. Nada de sepulturas ou nomes gravados em mármore. Um mundo no qual não há despedidas, morros não desabam e aviões não caem. O efêmero dará lugar ao eterno e Deus enxugará nossas lágrimas, não haverá dor nem pranto, pois as primeiras coisas terão passado.

Quem diz que o tempo cura algo não sabe o que é dor. Mas Deus vai tirar de nós a dor. Para isso Ele não precisa de tempo, apenas de sangue. Jesus cuida de nós como uma mãe devota toda energia e atenção ao filho pequeno. A morte não é o fim, mas sim nosso verdadeiro começo.