No dia 14 de agosto de 2016 comemora-se o dia dos pais. Quando criança eu me perguntava: Porque precisamos de um dia para celebrar os pais? Será que é só porque há um dia das mães e das crianças? Aí os pais não ficariam chateados... Na adolescência eu pensava que, como várias outras datas, esta era mais uma forma do comércio lucrar.

            Só fui refletir melhor depois dos vinte e tantos anos. Comecei a estudar sobre como o ser humano se comporta e refleti sobre a influência que um pai tem no desenvolvimento de uma pessoa.

            Há um ditado que diz: Pai é quem cuida e não apenas quem faz! Mas trabalhando com diversas pessoas que eram pais, percebi que muitas delas diziam que cuidaram e são exemplos para seus filhos. Porém os vizinhos, parentes próximos e até a polícia diziam o contrário.

            Defendo que ser pai não pode resumir-se a apenas dizer que cuida, ou apenas trazer dinheiro para a família ou até mesmo ser exemplo. Falo deste ultimo pois muitos colegas me disseram que aprenderam a ser pais não seguindo os péssimos exemplo de seus próprios pais. Logo aqueles pais serviram de modelos a não serem seguidos.

            Outro ditado bastante conhecido: Pai é quem educa! E eu pergunto: Como foi essa educação? Baseada no amor, doação, afeto e bons exemplos? Ou oscilava entre a rigidez desnecessária e a permissividade sem limites?

A psicologia tem estudado muito sobre a influência de um pai no desenvolvimento da criança. Quero apresentar alguns resultados de pesquisas bem interessantes, (Manfroi & Vieira, 2011) :

            • Um pai amoroso auxilia na manutenção de um clima de harmonia e satisfação para a família, promovendo um desenvolvimento saudável para a criança. Além disso, o suporte que ele fornece à esposa influi no afeto materno, gerando um efeito protetor e melhorando a autoestima da mulher em sua função materna. Ou seja; um pai amoroso e companheiro da mãe auxilia na ligação afetiva dessa mãe com seu filho. Consequentemente toda a família é beneficiada.

            • O pai influencia no desenvolvimento da personalidade e saúde mental dos seus filhos(as).  Há estreita correlação entre doenças mentais adultas (depressão, ansiedade etc..) e negligência paterna.

            • Podem ser vários os problemas enfrentados por aqueles que não possuem referência paterna. Dentre eles, apresentam-se o dano moral, o constrangimento, a vitimização por bullying, a evasão escolar, uma vida adulta problemática e a exclusão social. (Não devemos generalizar).

            • Em geral, as mães são mais compreensivas e afetuosas, enquanto que os pais obtêm a obediência das crianças mais facilmente por meio de sua autoridade persuasiva, exercendo assim, o controle. Tanto a figura materna como a paterna, asseguram a proteção da criança, mas de modo diferente. A mãe tende a acalmar a criança quando ela esta agitada e aflita, ao passo que o pai tende a colocar a criança em situações nas quais ela é obrigada a confrontar o ambiente, fornecendo, ao mesmo tempo, proteção e impondo limites.

            • O pai brinca mais com seus filhos. As brincadeiras do pai permitem a autodescoberta das próprias capacidades da criança e promove o desenvolvimento de uma autoimagem positiva. O contato entre pai e criança se dá em maior escala física, por meio da brincadeira, mais especificamente a turbulenta, encorajando a obediência e o desenvolvimento de competências competitivas nas crianças. O pai prepara a criança para a vida.

            • Crianças que vivenciaram nas relações com seus pais sentimentos de segurança e proteção, desenvolvem capacidade de se relacionar positivamente e têm mais condições de transferir essas experiências para outros relacionamentos íntimos na infância, adolescência e idade adulta.

            • Pais que executam tarefas domésticas e não o deixam apenas a cargo da mãe, estão ensinando seus filhos valores como responsabilidades e cooperação.

            É impressionante como estes dados escritos por cientistas, coadunam com a Palavra de Deus. Apesar de tão importante, percebo a figura paterna se enfraquecendo. Talvez reflexo de nossa sociedade.

            A bíblia diz: “Não vos conformeis com esse mundo” Rm. 12.01. E como está esse mundo?

            Valoriza mais as coisas em detrimento às pessoas. O pai erra ao pensar que dinheiro supre todas as necessidades de seus filhos.

Prega o hedonismo, isto é, o prazer a todo custo. O pai erra quando devido a preguiça, pensa que apenas assistir televisão junto “já está de bom tamanho” no relacionamento com os filhos.

            Prega o individualismo. O pai erra ao deixar que seus filhos sintam-se reis e rainhas, obedecendo a todos os seus desejos.

            Infelizmente não encontrei na bíblia um modelo coerente de pai, a não ser o próprio Deus. Mas trago aqui duas contribuição pra você que é ou quer ser pai:

            1) Seja um exemplo de cristão. Seja misericordioso. Ore e estude a Palavra de Deus.

            2) Aprenda a ser pai. Ninguém nasce sabendo ser pai. Talvez você aprendeu com alguém e, infelizmente esse aprendizado não foi dos melhores, então dedique-se a estudar e copiar modelos de referência. Pergunte, pesquise, compre livros, vá em palestras, permita-se aprender e a investir no que é mais valioso: Sua família = Obra de Deus.

            E se infelizmente você não teve um pai presente na sua infância, lembre-se da Graça de Deus. Ele é um pai que não te decepciona e a partir de você, um novo modelo de família pode surgir influenciando toda a sua descendência e sociedade. Tenha coragem para mudar. Errando vamos aprendendo. Parabéns aos que tentam ser bons pais e erram.

            Parabéns a todos os pais, parabéns meu pai Romualdo.